Casal que não briga nunca pode ter mais problemas do que outros? - Estela Psicóloga

Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva (USP-HU)

Especialista em Terapia de Casal e Família (Teoria Junguiana)

Especialista em Teoria Junguiana (Instituto Sedes Sapientiae - SP

Mestre Pela PUC-SP

Especialista em Constelações Familiares e Soluções Sistemicas (Instituto KOZINER - SP)
Psico. Estela - Psicóloga Clínica - Mestre/PUC-SP
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Casal que não briga nunca pode ter mais problemas do que outros?

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Comportamento: no amor, você confia no "seu taco"?




Entrevista sobre o tema “Casal que não briga nunca pode ter mais problemas do que parece”, concedida pela psicóloga Estela Noronha para a jornalista Marina Oliveira da Agência de Conteúdo Customizado - Cucas Conteúdo Inteligente - Agência de Conteúdo Customizado -55 (11) 4901.6729 / (11) 4901.6728 - Skype: cucasconteudointeligente, e publicado no portal UOL, seção “comportamento”.
Você confia mo seu taco?
Perguntas:
1).Casais que brigam, pouco, muito ou o tempo todo não é difícil de encontrar. Mas existem casais que não brigam nunca? Eu conheci uma pessoa que já namorava há anos e dizia ter brigado uma vez só com o parceiro. É possível?
Estela Noronha: eu diria que é quase impossível. Teoricamente, relacionar bem, sem briga e desentendimento é aceitar o outro em sua totalidade, sem reticências. E francamente, isso é possível? Não, porque em qualquer relação, por mais evoluída que esta seja, é natural que ela sofra com as projeções, os anseios e as perspectivas que habitam nossas mentes e corações. Bom relacionamento não é aquele que é perfeito, mas aquele que é capaz de colar os caquinhos sempre que necessário.

2). Não brigar nunca é ruim ou é saudável? Por que? Isso pode indicar superficialidade, por exemplo, ou até um descaso com a relação? Ou indica harmonia?
Estela Noronha: a palavra nunca é perigosa e definitiva, temos que ter cuidado ao usá-la. Não brigar pode significar tantas coisas: harmonia ou descaso, superficialidade ou personalidade “alpha”, aquela que é dominante e submete o outro a sua vontade. Pode ser cultural, como nas sociedades no qual o patriarcalismo e o fundamentalismo religioso são preponderantes e o homem tem a última palavra. O papel da mulher é secundário na sociedade e sua “voz é muda”. Ou simplesmente falta de comunicação: “tenho que conversar sobre aquele assunto, mas por onde começar? Acho melhor deixar para outro dia...”

3). Quando não há nenhuma discussão é possível que uma das partes esteja se anulando? E isso é prejudicial? De que maneira?
Estela Noronha: sim, pode ser uma possibilidade, não uma certeza. Nesse caso a parte “anulada” é aquela que não é escutada, por exemplo. Sua demanda não reverbera, não chega ao outro. Lembrando que escutar é muito diferente de ouvir. Escutar está mais próximo do significado de prestar atenção ao ouvir, dar atenção ao outro, sentir, perceber e tornar-se atento. Já o ouvir simplesmente está mais relacionado ao sentido da audição. Quando você escuta aquela expressão “entrou num ouvido e saiu pelo outro”, quer dizer que: eu ouvi, mas não escutei. Portanto, neste caso, não escutar é apenas não discutir é também uma forma de ignorar o outro.

4). O casal não brigar, significa que eles nunca discordam? Ou apenas que as discordâncias não levam a brigas de fato?
Estela Noronha: Não, significa que eles, muito provavelmente, não dialogam. Ou ainda, que provavelmente são personalidades tão diferentes, que veem o mundo e as situações de forma opostas. E, se o casal for capaz de aceitar minimamente o outro, as discordâncias não se tornam brigas.

5). O que significa brigar? Uma discordância pode ser considerada uma briga? Qual a diferença dessas duas situações? O nome "briga" automaticamente remete à ideia de desgaste na relação, mas essa ideia é correta? Ou existem brigas saudáveis? Como elas se caracterizam?
Estela Noronha: apesar de serem terminologias semelhantes, não formam o mesmo conceito. Discordar significa contenda, controvérsia e debate de ideias. Brigar está mais próximo de lutar, provocar confusão e disputar. Mesmo nos diálogos mais construtivos, onde os problemas são tratados de forma cooperativa e não destrutiva, as divergências podem se transformar em brigas. É quando o emocional sai do controle ou aquele que tem a personalidade mais forte se exalta.  

6). - O que é uma briga ruim? Qual tipo de discurso é usado nessas brigas?
Estela Noronha: briga ruim é aquele que você perde o foco e parte para o ataque pessoal, agredindo moralmente, emocionalmente e até fisicamente o seu interlocutor. Diz coisas das quais se arrepende quando “esfria a cabeça”, mas que não consegue segurar na hora da briga, mesmo sabendo que irá ofender e magoar profundamente a outra parte.

7). É possível um casal aprender a brigar? Como fazer isso?
Estela Noronha: é possível o casal aprender a discutir, dialogar de forma construtiva. Uma dica importante: coloque-se no lugar do outro. Não precisa concordar, nem ter os mesmos valores. Mas, exercite sua vontade de entender a forma como a outra pessoa pensa, sente, vê, julga e compreende o mundo a sua volta. E, talvez você perceba que não há uma única forma de ver e atuar no mundo, mas apenas uma maneira diferente de interpretar os fatos a sua volta.

8). A tolerância a brigas vai depender do casal? Eu conheço pessoas que discutem o tempo todo, mas estão juntos há anos. Mas também conheço pessoas que odeiam brigar e quando precisam lidar com um enfrentamento se desestabilizam muito.
Estela Noronha: vamos dar o exemplo de personalidades introvertidas e extrovertidas.  Isso por si só muda radicalmente a forma do relacionamento e de como se relacionar. O indivíduo introvertido sempre elabora sua opinião subjetiva a partir da percepção do objeto, portanto de caráter subjetivo.  O indivíduo extrovertido se prede àquilo que recebe do mundo através dos órgãos dos sentidos. Quando as duas pessoas se deparam com o mesmo objeto, evento ou situação eles o percebem de maneira distinta. Sempre existirão muitas e profundas diferenças no significado e na representação psíquica daquilo que é percebido. Portanto, começar uma discussão depreende muita energia e a desestabilização é frequente porque estamos lidando com tipos psicológicos diferentes que tem dificuldade de compreender o outro.

9).Tem pessoas que gostam de brigar? Como podemos reconhecer essa pessoa? Quais características ela tem?
Estela Noronha: Os “donos da verdade” e “cheio de razões e lógica” adoram uma boa briga. Aqueles que não aceitam uma opinião divergente a sua e tem na teimosa seu maior argumento, pois acreditam que não ganhar uma discussão é sinal de fraqueza. Arrogância é um traço de personalidade dos brigões de carteirinha.

10).E aqueles que não brigam nunca? Quais características eles têm?
Estela Noronha: Podem ser vários os motivos que vão desde insegurança, timidez e pouca fluência verbal. A pessoa pode ser detentora de uma personalidade menos passional, o que de forma alguma é um defeito. Aqueles que não gostam de brigar, na verdade, “escolhem as suas batalhas”, elegem aquelas que realmente valem a pena e deixa para os brigões o ônus desagradável que a briga inútil traz, o desconforto.

10).Por fim, é possível recomendar um ponto de equilíbrio nessas situações – ou seja, brigar nada, brigar pouco ou brigar muito?
Estela Noronha: O ponto de equilíbrio é: conversar, escutar e aprender a se colocar no lugar do outro. Não precisa concordar, mas exercite profundamente sua vontade de compreender o outro. Esse é o caminho.

Marque uma consulta, terei o maior prazer em ouví-lo (a) e esclarecer as dúvidas pertinentes ao seu processo de cura terapeutica.

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MSc. Estela Noronha
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