É possível resolver embates de relacionamento sem discutir a relação? - Estela Psicóloga

Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva (USP-HU)

Especialista em Terapia de Casal e Família (Teoria Junguiana)

Especialista em Teoria Junguiana (Instituto Sedes Sapientiae - SP

Mestre Pela PUC-SP

Especialista em Constelações Familiares e Soluções Sistemicas (Instituto KOZINER - SP)
Psico. Estela - Psicóloga Clínica - Mestre/PUC-SP
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É possível resolver embates de relacionamento sem discutir a relação?

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Discutir a relação: é possível resolver alguns embates de relacionamento sem ter que sentar e iniciar uma longa discussão. Dá para simplesmente agir de modo diferente, ter alguma atitude? É isso que queremos descobrir.

Entrevista  concedida para a resvista  Cosmopolitan Brasil através da jornalista Marina.
Cosmopolitan
  • Qual é a importância das chamadas “DRs” (discussões de relacionamento) na relação a dois?
   
Estela: todo “contrato caduca”. Torna-se desatualizado, antiquado, insuficiente e, portanto, não supre as demandas futuras. Precisa ser renovado com bases nas necessidades vigentes. Um relacionamento é um contrato formal ou não, entre duas pessoas que resolveram compartilhar a sua vida ou parte dela com alguém. As famosas “DRs” são os ajustes deste contrato ao longo do tempo, e são importantes para referendar qualquer relacionamento. Aquilo que não é dito, comunicado e faz parte dos valores fundantes da relação podem vir a ter contornos desproporcionais. Conversar é essencial, inclusive para dar o devido tamanho às situações presentes. Caso contrário, tudo poderá ser motivo para discussão.
 
  • Mas é correto afirmar que não é todo embate no relacionamento que precisa culminar em uma DR? O excesso de DR pode desgastar uma relação? Por quê?

Estela: sim, nem todo embate precisa culminar numa DR. Excessos desse recurso desgasta o relacionamento e “picuinhas” acabam por pulverizar a relação. Socialmente somos moldados para apontar os erros. Atitudes corretas são esperadas e não necessitam de reforços positivos. Isto é um engano! E, maior engano ainda, tratando-se de relacionamento amoroso.
Para a convivência ser boa, agradável e querida é necessário ter um mínimo de tolerância com o seu par, não querer ter a “razão” em toda e qualquer questão ou circunstância, e principalmente, ter o entendimento que ser empático com o seu companheiro (a) é essencial para a vida saudável a dois. Em outras palavras, exercitar a empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro em situações que talvez você não concorde. E, com genuína boa vontade, procurar compreender o ponto de vista daquele (a) com quem se relaciona. Então, reflita, afinal de contas, você quer ter “razão” em tudo ou deseja ser feliz no relacionamento? Talvez você precise ceder e cooperar para encontrar soluções parcialmente vantajosas para ambos e não apenas para uma das partes. É quando os interesses do casal se sobrepõem aos anseios individuais. Ao ser capaz de desenvolver a empatia, as necessidades de DRs diminuem substancialmente e os acordos se tornam mais fáceis.

  • É possível lidar com alguns embates do dia a dia apenas agindo, sem precisar sentar e conversar por um longo tempo? De quais tipos de embates estamos falando? (gostaria de exemplos práticos)

Estela: É possível lidar com os conflitos do dia a dia, sem precisar sentar e conversar minuciosamente a cada evento “fora da curva” que ocorra no relacionamento, utilizando-se, por exemplo, do bom humor. Nem tudo deve ser levado “a ferro e a fogo”. Tenha bom humor, relativize as situações, não leve tão a sério as “pequenas causas”. Lembre-se, você também não é um ser perfeito, e ter alguém que te aponte nas minúcias os seus defeitos é muito desagradável. Aceite que o outro tenha opiniões diferentes das suas, afinal ele (a) realmente é outra pessoa e não se esqueça disso. Por outro lado, há questões que devam ser resolvidas com mais praticidade. Eu brinco, dizendo, que há ideias que ficam flutuando na cabeça, alimentando o “mundo do achomentro”. Tragamos para as ideias, dados reais.
 
Por exemplo: existem rotinas domésticas que são motivos (por vezes), de briga entre um casal, principalmente quando uma das partes está sobrecarregada. Solução simples: faça uma planilha com as atribuições do que cada um pode fazer, quando e a que horas. Talvez nas primeiras semanas esse acordo precise ser refeito, readequado, redistribuído. Refaça os ajustes necessários. Recorde-se, acordos devem ser atualizados sempre que necessários. Feito um acordo, coloque-o num lugar visível. Na geladeira ou dentro da porta do armário, por exemplo.  Frases como: “Mas, eu pensei que você faria”, “eu esperava que”, “ah, nem lembrei”, “eu achei que era tarefa sua”, “não, isso não ficou claro”, perdem a força diante de algo que fora combinado previamente.  Mal entendidos tendem a diminuir. Mas, você pode me perguntar: e se alguém não cumprir o acordo? E se houver sabotagem? Bem, aí é hora de uma boa DR.

  • E como avaliar se aquela situação vale uma DR? Pode dar exemplo de algumas situações na vida de um casal que necessitam que você sente e converse sério com o par?

Estela: Conversar é essencial: mas, dê o devido tamanho a situações diferentes. É absolutamente normal, na rotina do relacionamento, o surgimento de problemas e chateações que ocorrem no dia a dia. Transformar isso num probleminha ou num problemão dependerá da atitude tomada e da importância dada pelo casal. Por exemplo: sobrecarregar em atribuições de tarefas e financeiramente uma das partes pode ser um problemão. Assim como, brigar por causa de uma toalha no chão, a luz acesa ou o lixo não retirado. Mas, será que o peso e a importância são as mesmas? É preciso ter cuidado e saber distinguir entre situações que possam realmente ser problemáticas e situações de fácil resolução. Mas, muitas vezes, o casal não consegue mais fazer esta distinção porque a relação chegou num nível de desgaste significativo. Na hora da DR sobram farpas, acusações e irritabilidade. As partes podem sentir-se injustiçadas, invisíveis e incompreendidas. É o de momento de procurar a ajuda de um profissional, que os auxiliará na condução da reabertura do diálogo e será um intermediário fiel à causa do casal.
 
  • E quando um comportamento seu é a razão de uma frustração do outro? Como é que você percebe isso e modifica o comportamento, antes que seja necessário sentar e iniciar uma discussão?

Estela: bem, se o indivíduo percebe que o seu comportamento é a razão da frustração do outro, já é um primeiro passo, mas apenas um passo. Porque o mais importante é saber se a frustração que outro sente é de sua responsabilidade, ou é uma projeção das expectativas da outra parte.
Exemplo prático:
A pessoa é extrovertida, têm muito amigos, é o famoso “arroz de festa”. Sua simpatia lhe rendem vários convites e interações sociais. Bem, a pessoa com que está se relacionando o conheceu assim. Talvez este até seja o motivo que a levou a se encantar por ele. Mas, na realidade, esta pessoa é mais reservada, tímida e começou a se sentir incomodada com a rotina “festeira” da relação. Mas, não reclamou, afinal, ela não era excluída da agenda social do seu namorado. Então, um belo dia, tomou coragem e disse: não estou feliz com a relação e com o seu comportamento.
Pergunto-lhe, quem é o “responsável” por essa frustração? Quem não está vendo quem? Comportamentos novos podem ser modelados, projeções e expectativas irrealistas podem ser retiradas, mas é muito difícil realizá-las sem estar atendo a relação, ao outro, sem um bom diálogo e uma boa autoanálise.
Mas, independente de quaisquer condutas, há gestos que são verdadeiros antídotos contra as frustrações. Expressões como: "obrigado (a) querido (a), você é especial porque...", "fico feliz quando você…", "você é capaz", "pode contar comigo", “você está quieto hoje, o que aconteceu”, são atitudes mágicas para o relacionamento. Dê um afago, um sorriso, um simples abraço, deem as mãos ao caminharem ou um “cheirinho”. Cuidado com o uso da linguagem. As palavras ferem e marcam profundamente. Seja educado (a) com quem você ama, respeite os acordos e os horários combinados. São pequenos gestos que aproximam o casal. Olhe e ouça. Nada é mais irritante do que conversar com o outro, que por sua vez está teclando o celular ou computador. Nem que seja por dois minutos, pare e dê atenção. Mostre que você está conectado com ele (a). Temos a escolha, em qualquer interação, de nos conectarmos com o (a) nosso (a) parceiro (a) ou não. A constância da segunda opção pode, ao longo do tempo, corroer lentamente o relacionamento, mesmo sem haver um conflito claro. E as DRs por motivos, ainda que insignificantes, começam a acontecer.

Marque uma consulta, terei o maior prazer em ouví-lo (a) e esclarecer as dúvidas pertinentes ao seu processo de cura terapeutica.


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MSc. Estela Noronha
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