Família: regras mais duras para criar filhos. - Estela Psicóloga

Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva (USP-HU)

Especialista em Terapia de Casal e Família (Teoria Junguiana)

Especialista em Teoria Junguiana (Instituto Sedes Sapientiae - SP

Mestre Pela PUC-SP

Especialista em Constelações Familiares e Soluções Sistemicas (Instituto KOZINER - SP)
Psico. Estela - Psicóloga Clínica - Mestre/PUC-SP
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Família: regras mais duras para criar filhos.

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Família: Regras mais duras para criar filhos.
Entrevista concedida para a repórter Kelly Kalle  do jornal A Tribuna (ES)  (edição impressa), veiculada em 06 de setembro de 2015.
Jornal A Tribuna
Kelly Kalle Repórter
Questões:

  • Ser rígido com limites e regras dos filhos é o melhor caminho para a educação saudável do adolescente?

Estela: ter limites e regras é importante e necessário na educação dos filhos. Mas, a ideia de uma educação patriarcal e hierárquica nas famílias está fadada ao fracasso. Os tempos mudaram, assim como o conceito de educação e família.  Hoje há um ideal igualitário no qual nenhum membro é mais importante que o outro, todos tem a mesma importância e podem tomar decisões. É claro que em muitos momentos são os pais que determinam as regras e estas variam a cada núcleo familiar. Quando os pais apresentam limites, estes estão ensinando o certo e o errado, e demonstrando quais são os valores éticos e o nível de respeitabilidade que eles esperam dos seus filhos.
No entanto, o foco não está na rigidez disciplinar, mas no que chamamos de Disciplina Positiva. Conceitos como: autoestima, assertividade, autocontrole, autonomia, boas habilidades sociais, empatia e confiança são muito mais importantes do que a obediência cega às regras. Os filhos não são mais educados apenas para serem obedientes e dizer sim a qualquer autoridade, inclusive a abusiva. Mas, são instigados pelos pais a desenvolverem sua capacidade de refletir, questionar e serem independentes.

  • Quais regras devem ser impostas para os adolescentes, a fim de evitar sexo precoce, drogas, fracasso escolar, violência, entre outros?

Estela: disciplina em latim significa “ensinar, formar”. É função dos pais determinar quais são as regras, limites e valores que são importantes para eles. Ao mesmo tempo, devem decidir o que é fundamentalmente importante, o que é negociável e o que não é negociável.  
Limites são os fundamentos e a estrutura de um lar. Sem a base, a casa pode ruir diante de situações como sexo precoce, drogas, fracasso escolar ou violência.  Limites e regras são restrições e são importantes porque geram segurança. Elas devem ser claras, justas, consistentes, realistas e apropriadas a cada idade. E muito importante, devem ser supervisionadas e monitoradas. Regras não significam prisão, existe flexibilidade diante de uma razão lógica. A interação pais e filhos com as necessárias explicações do porque e da validade de determinada regra é fundamental.

  • Além de regras e limites, o que mais os pais devem colocar em prática na educação dos filhos?

Estela: simples, o TEMPO. Disponibilizar o seu tempo na criação de seus filhos, senão não fará diferença na vida deles. Hoje em dia a educação das crianças e adolescentes está terceirizada em mãos de babás e escolas.  Pais sem tempo costumam ter regras mais “frouxas”, sem supervisão. E a família que deveria ser um porto seguro, se torna fraca em estabilidade emocional. Aqueles que mais se envolvem com os filhos também se divertem mais, são mais afetuosos, se comunicam melhor e aumentam enormemente a possibilidade que criarem filhos disciplinados para que possam “se virar” sozinhos no futuro. Filhos autônomos, com autoestima elevada, que saibam cooperar, que sejam solidários, éticos, justos e honestos.

  • A senhora já lidou com mães que se arrependeram de terem sido muito frouxas nas regras, por exemplo? Pode citar dois casos sem identificar as pessoas, só dizendo a idade média do adolescente e da mãe?

Estela: sim, mas a grande maioria eu não diria que foram “frouxas” nas regras, mas ausentes na vida dos filhos. Muitas mães demonstram arrependimento ou culpa por terem se ausentado na educação mais participativa da prole, por motivos de trabalho, imaturidade emocional (grávidas adolescentes) ou desestrutura emocional diante uma separação, para citar apenas alguns exemplos. Chegam ao consultório geralmente muito bravas, estressadas e queixosas. Mas, ao mesmo tempo exauridas e sem saber o que fazer.  
Eu atendi uma mãe recentemente, cuja filha adolescente engravidou. Ela me disse: “eu devia ter dado umas palmadas, isso sim. Mas, fui querer ser uma mãe legal, moderna, olha no que deu”. Conversando com a filha, não foram as palmadas que faltaram, mas foi o diálogo, a presença, o afeto dos pais que viajavam muito a trabalho e deixavam a filha para a avó materna, de quase 80 anos cuidar. Educar um filho dá trabalho. Não é tão simples como se imagina. Só o amor não basta, mas sem amor não funciona. E foi muito difícil e até mesmo dolorido para essa mãe entender que o que faltou, de fato foram o amor e o acompanhamento tanto materno, quanto paterno. Sim, porque a criação dos filhos é de responsabilidade dos pais e não apenas da mãe. E como ser humano que é, é passível de erros e enganos. Não vamos aqui crucificá-las.

  • Houve realmente uma mudança na educação familiar brasileira? No início do século 20 realmente era muito rígido e na década de 70 houve liberalização?

Estela: houve uma mudança de valores nas ultimas décadas em todos os sentidos. O conceito e a conformação da família também mudaram. Por exemplo: todas as vezes que vivemos uma polaridade de regras rígidas, restritivas e coercitivas, no momento seguinte tendemos para o outro lado, ou seja, tripudiar essas regras, exercendo, muitas vezes, uma liberdade inconsequente. É necessário um tempo de adaptação para chegarmos ao necessário equilíbrio (a razão).
É o que as mulheres de dupla ou tripla jornada de trabalho buscam atualmente: o equilíbrio entre a repressão vivida até a década de 60 e a liberdade conquistada, no ato simbólico da queima do sutiã.
Saímos de uma estrutura de educação patriarcal e hierárquica nas famílias, para uma geração “Woodstock” de liberdade ampla. E interessante notar que muitos filhos desta geração “livre”, hoje são mais “caretas” que os próprios pais porque entenderam que aquela liberdade teórica, não existe e que os valores tidos como libertários são inexequíveis e por vezes desestruturantes.

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MSc. Estela Noronha
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